Mulheres superam câncer e viram mães

Às vezes até esqueço que passei por tudo isso.” Carteira em Mirandópolis, no interior paulista, Patricia Alves de Oliveira Moraes, de 28 anos, é uma mãe que venceu todos os prognósticos médicos: superou um câncer no ovário durante a gestação e vai comemorar o Dia das Mães mais uma vez ao lado da filha, Estela Vitória, de 7 anos. “Ela se chama Vitória porque foi uma vitória, né?”, diz Patricia.O drama todo foi vividoem2008. Descobriu que estava grávida no segundo mês de gestação. Logo na primeira consulta pré-natal, o que era alegria se transformou em pânico.“ Fui diagnosticada com câncer. E era um caso muito agressivo”, conta.“A médica que primeiro me atendeu foi taxativa: eu perderia (o bebê).” Encaminhada para o Hospital de Câncer de Barretos, também no interior, passou por uma cirurgia e começou a quimioterapia. “Assinei um termo de ciência de que poderia sofrer um aborto em virtude do tratamento”, diz. Seis meses mais tarde, uma nova cirurgia: desta vez, o parto. “Um pediatra retirou a neném e, em seguida, um oncologista já tirou o tumor.Tudo na mesma operação.” Dia das Mães também se tornou uma data simbólica de superação para a publicitária Kellis Anastacio Vito, de 41 anos. Em 2011, em exames de rotina, ela foi diagnosticada com câncer no colo do útero.Na época,morava em Birigui, no interior paulista – hoje vive no Recife. “Os médicos disseram que eu teria de tirar o útero e estavam preocupados porque eu não tinha filhos”, diz.“Confesso que não tinha mesmo intenção de me tornar mãe. Estava conformada.” Foi em Barretos que o panorama mudou. Os médicos optaram por uma cirurgia menos agressiva, tirando boa parte do colo do útero, mas preservando a estrutura necessária para uma gravidez. “Eles me conscientizaram: diziam que eu ainda poderia conhecer alguém no futuro e querer ser mãe”, conta. Profecia. Em 2013, Kellis conheceu Kleber Luiz Vito, funcionário de uma empresa calçadista, hoje com 31 anos. “Começamos a namorar e ele foi comigo na última consulta de acompanhamento do meu tratamento do câncer, justamente quando o médico ‘liberou’ uma gravidez”, diz. Foi uma gestação de risco, exigindo muito repouso. Cauã é um menino saudável de 2 anos e 5 meses. De acordo com o pesquisador Marcelo de Andrade Vieira, cirurgião oncológico da instituição de Barretos, as chances de uma mulher engravidar após a retirada desse tipo de tumor são muito baixas porque um efeito colateral da cirurgia costuma ser o estreitamento do anel endocervical do colo do útero. “Se nenhum cuidado for tomado, eu diria que em 80% das pacientes a chance de gravidez vai a zero”, afirma. Incomodado com isso, ele inventou, em 2012, um dispositivo plástico para colocar no anel durante a cirurgia, preservando o aberto. Com isso, as chances de gravidez passam a ser de 60%–em uma mulher sem o problema, oíndiceésuperiora95%. Resultado. De lá para cá, 18 pacientes já usaram o dispositivo. Uma delas é a gerente financeira Ana Paula da Silva Azevedo, de 32 anos. Moradora de Naviraí, em Mato Grosso do Sul, ela descobriu o câncer no fim de 2014. O primeiro médico que a atendeu, na vizinha Dourados, recomendou um tratamento agressivo. “Ele queria retirar imediatamente útero, ovários, trompas, tudo”, conta ela. Mãe de um filho – Lucas Daniel, hojecom8anos–,Ana Paula já estava no segundo casamento, com o encarregado de operações André José da Silva, atualmente com 32 anos, e queria ser mãe denovo.A equipe do médico Vieira assumiu o caso, em Barretos. Ana Paula fez a cirurgia em março de 2015. Em janeiro deste ano, o médico a liberou para tentar engravidar, se quisesse. Dito e feito. “Estou grávida de 15 semanas”, afirmou, na quinta feira. “Ainda não sei se é menino ou menina. Mas já tenho os nomes: ou Vitor ou Vitória, porque esta criança é a vitória da minha esperança.” Fonte: O Estado de S.Paulo